O chefe do Programa Mundial de Alimentos da ONU prevê uma pandemia de fome de proporções bíblicas, devido às guerras civis, crises financeiras e enxames de gafanhotos.

FONTE: GUIAME, COM INFORMAÇÕES DA FRANCE 24

Enquanto enfrenta a pandemia de coronavírus, o mundo está à beira de uma pandemia de fome “de proporções bíblicas” caso nenhuma ação seja tomada, alertou o diretor do Programa Mundial de Alimentos da ONU, David Beasley, na terça-feira (21).

Beasley disse ao Conselho de Segurança da ONU que, mesmo antes do Covid-19 se tornar um problema, ele havia alertado líderes mundiais que “2020 enfrentaria a pior crise humanitária desde a Segunda Guerra Mundial”. 

Isso se deve às guerras civis como na Síria e Iêmen, enxames de gafanhotos na África, frequentes desastres naturais e crises econômicas, como acontece no Líbano, Congo, Sudão e Etiópia, disse ele.

De acordo com Beasley, hoje 821 milhões de pessoas dormem com fome todas as noites ao redor do mundo, mais 135 milhões estão enfrentando “níveis críticos de fome” e 130 milhões de pessoas “poderão ser levadas à beira da fome até o final de 2020” devido ao Covid-19, segundo uma nova análise do Programa Mundial de Alimentos.

Em vídeo, Beasley disse que o Programa Mundial de Alimentos está fornecendo comida para quase 100 milhões de pessoas, incluindo “cerca de 30 milhões de pessoas que literalmente dependem de nós para permanecerem vivas”.

Beasley, que está se recuperando do Covid-19, disse que se essas 30 milhões de pessoas não puderem ser alcançadas, “nossa análise mostra que 300.000 podem morrer de fome todos os dias durante um período de três meses” — e isso não inclui aumento da fome devido ao coronavírus.

“No pior cenário, poderíamos ver a fome aumentar em três dúzias de países e, de fato, em 10 desses países já temos mais de um milhão de pessoas por país que estão à beira da fome”, disse ele.


Mulher carrega sacos de comida distribuídos pelo Programa Mundial de Alimentos no Sudão do Sul. (Foto: Albert Gonzalez Farran/AFP)

Segundo o PAM, os 10 países com as piores crises alimentares em 2019 foram Iêmen, Congo, Afeganistão, Venezuela, Etiópia, Sudão do Sul, Síria, Sudão, Nigéria e Haiti. Beasley observa que em muitos países a crise alimentar é resultado de um conflito.

Por outro lado, ele e levantou a perspectiva de “uma pandemia de fome” porque “também existe um perigo real de que mais pessoas possam morrer pelo impacto econômico do Covid-19 do que pelo próprio vírus”.

Beasley pediu maior acesso humanitário, uma ação coordenada para fornecer ajuda, o fim das interrupções no comércio e o aumento no financiamento, incluindo US$ 350 milhões para estabelecer uma rede de logística e sistemas de transporte para manter as cadeias de suprimentos em funcionamento pelo mundo.

“A verdade é que não temos tempo do nosso lado, então vamos agir com sabedoria — e vamos agir rapidamente”, disse Beasley. “Acredito que, com nossa experiência e parcerias, possamos reunir as equipes e os programas necessários para garantir que a pandemia do Covid-19 não se torne uma catástrofe humanitária e de crise alimentar”.

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